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A gestão de pessoas, o RH e a ABRH



O ano está apenas começando, mas promete ser desafiador. Na entrevista a seguir, Leyla Nascimento, presidente da ABRH Nacional, comenta o cenário em que Recursos Humanos terá de atuar, os assuntos que devem ser prioridade, o diferencial do voluntariado da ABRH e o papel e futuro da associação ao completar 50 anos.

Pessoas de ValoRH – Passado o ano da Copa e das eleições presidenciais, 2015 chegou com expectativas bem menores em relação ao desempenho socioeconômico do Brasil. Quais foram as principais lições aprendidas pelos gestores de pessoas em 2014?

Leyla Nascimento – Continuamos aprendendo que em nosso país nem tudo segue um planejamento ou uma previsão que nos possibilite ter uma visão melhor do futuro. A política econômica e o viés político ainda são mandatários e interferem diretamente nas pessoas e organizações.

Por outro lado, temos de reconhecer o trabalho dos profissionais de RH, que contribuíram para que suas empresas não sofressem queda de produtividade e atraíssem os melhores profissionais do mercado. O otimismo em torno do Brasil a partir de 2008 foi muito bem trabalhado pelo RH para que as empresas se tornassem competitivas e não perdessem as oportunidades oferecidas naquele momento. Temos muito do que nos orgulhar do RH, que também está tendo papel decisivo no atual momento do país.

PV – Como o mercado de trabalho deve se comportar?

LN – Será um ano difícil, mais ainda por não sabermos, neste momento, como se comportará a política econômica. Já em janeiro estamos vendo a dificuldade das empresas do segmento automotivo, das terceirizadas na área do petróleo em função do problema da Petrobras, do segmento têxtil e de outros, com perdas de faturamento. Isso se deve, também, à entrada implacável da China no país e aos baixos custos da mão de obra da Índia. Certamente, teremos mais cautela nas contratações e um cuidado ainda maior com a retenção dos melhores profissionais. Mas vale lembrar que, mesmo em fase recessiva, as empresas querem atrair e manter os melhores colaboradores, porque buscam a perenidade dos negócios.

PV – E quanto à gestão de pessoas?

LN – Sua importância é inquestionável. No Fórum dos Presidentes, que realizamos há 15 anos e do qual participam importantes lideranças do país, quando questionamos suas prioridades, eles apontam como fundamental a formação e o preparo dos seus líderes para assegurar os bons resultados e realizar o planejamento.

PV – Para os profissionais de RH, como fica?

LN – O RH cuidará para obter qualidade ainda maior em seus processos e no preparo de consultorias internas, que precisarão fazer atendimento às lideranças. O momento é de engajamento dos colaboradores e de ter um canal amplo de comunicação e interação para que as informações sejam assimiladas e compreendidas.

O estágio atual é bem diferente de anos atrás, quando a reengenharia veio como um modismo e algumas empresas ultrapassaram o limite do bom senso entendendo que demissão era o retorno imediato de um período recessivo. Hoje, as mídias sociais tornam tudo muito transparente e as decisões erradas podem impactar fortemente na imagem da empresa.

PV – No âmbito do Ministério do Trabalho e Emprego, que assuntos a associação gostaria de ver na pauta deste ano?

LN – Temos participado de várias discussões sobre relações do trabalho junto a comitês empresariais e governamentais, com uma pauta de reivindicações consideradas importantes pela associação. Um exemplo é a terceirização, ainda marginalizada no Brasil, diferentemente do que acontece em países europeus e americanos. É uma modalidade de trabalho que, cumprindo os direitos do trabalhador, torna-se uma ferramenta importante de acesso ao mercado, tanto para os profissionais como para as empresas.

PV – Que outros temas têm prioridade na pauta da associação?

LN – O teletrabalho é mais um. Hoje, o que o que importa é o resultado gerado pelo trabalhador e não o tempo que ele permanece dentro da empresa, mas o nosso governo não o vê como uma modalidade de relações do trabalho importante.

Outra questão, sem dúvida, é o não incentivo fiscal às empresas para investirem em cursos e formação dos colaboradores. Isso está na contramão da história contemporânea, na qual o conhecimento tem uma obsolescência muito grande. O mundo muda, as empresas precisam acompanhar essas mudanças e são os profissionais que assegurarão o conhecimento necessário para atender às demandas. O governo, ao suspender esse incentivo (Lei nº 6.297/75), reduziu a possibilidade de os profissionais obterem da empresa investimento em um quesito fundamental: educação.

PV – Neste ano, a ABRH-Nacional completa 50 anos. Qual é a sua visão sobre a evolução e o papel da entidade?

LN – É um orgulho ver a trajetória da associação com suas 22 seccionais (a ABRH está presente em 21 estados e no Distrito Federal). Costumo dizer, com imenso prazer, que somos a maior entidade profissional por adesão. Nossos filiados – profissionais e empresas – fazem parte da ABRH por reconhecerem nela o seu real valor. Não temos contribuições compulsórias e não somos um conselho de classe. Para mim, essa é a prova de que é possível fazer um grande trabalho no Brasil desprovido de qualquer interesse que não seja o de ver nossa área buscar o seu desenvolvimento coletivamente, privilegiando o associativismo.

A frase do Raul Seixas que diz “sonho que se sonha só, é só um sonho, mas sonho que se sonha junto é realidade” simboliza bem o que ocorreu com a ABRH nesses 50 anos. Foram grupos de profissionais de RH voluntários que sonharam e deram muito de si, mas juntos.

PV – É isso que faz a diferença?

LN – Tenho dito que esse é o diferencial das lideranças voluntárias da ABRH-Nacional. Gostamos da nossa profissão, entendemos o significado do associativismo e, melhor, gostamos de estar juntos. Ao nos reunirmos, seja para deliberações da diretoria ou para qualquer um dos nossos projetos, é uma autêntica celebração. E, o mais importante, esse clima é absorvido pelos colaboradores do nosso quadro funcional, que fazem acontecer e que tornam realidade todos os projetos.

Outro diferencial é que a marca ABRH tem total credibilidade no mercado pela sua missão e vem atraindo investidores para seus projetos e atividades. Também me orgulha dizer que algumas das maiores organizações do país são parceiras nos trabalhos da ABRH.

PV – Como a ABRH pretende comemorar a data?

LN – Através da diretoria de Marketing, foi elaborado o Projeto 50 Anos, cujo objetivo principal é comemorar esse marco com os nossos parceiros, patrocinadores e associados. Teremos inúmeras atividades alusivas à data; o ponto de partida é o lançamento, no próximo mês, da nova marca, contemporânea e compatível com nossas ações e alinhada com os desafios em gestão de pessoas.

PV – Qual é a ABRH que a atual presidente vislumbra no futuro?

LN – Uma ABRH que rompa todas as fronteiras e chegue a lugares do nosso país onde é difícil estarmos presentes pela distância e geografia. Isso serve também para a atuação global. Nesse sentido, nossa gestão deu um passo além. Mobilizamos as maiores associações do mundo para conhecerem o nosso trabalho e firmarmos diversas parcerias. As práticas de RH do Brasil são exemplos de sucesso e de muita luta, que devem ser levados para outros países e continentes.

Para mim, futuro na ABRH significa crescer, desbravar, multiplicar e formar. Tudo isso com princípios e valores que não abrimos mão.

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Fonte: Pessoas de Valor RH
Autor: 
 Data: 20/02/2015

 

 


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