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A hora e a vez do jovem talento

Por Claudia Fadel¹

Dizer que a sociedade contemporânea passa por uma revolução tecnológica de dimensões nunca vistas, baseada na produção de conhecimento e na velocidade das novas formas de comunicação, pode até soar um lugar-comum. Mas é preciso partir dessa obviedade para dimensionar o tamanho do esforço que precisamos fazer para entender os cenários que se desenham hoje e agir rapidamente para dar conta dos desafios que se colocam diante de todos nós.

A radicalidade das transformações vem recolocando em novos termos questões que nos acompanham há dezenas, às vezes centenas de anos. Por exemplo, não se pode mais pensar o mundo do trabalho nos termos em que era concebido, há 20 ou 30 anos. Cursos e profissões caducam e nascem a todo momento. Mercados inteiros se esvaziam ou surgem com a velocidade dos cometas – que o digam os inventores de ferramentas como o WhatsApp ou o Instagram. Para não ruir, grandes empresas precisam se reinventar como se começassem de novo.

Campo de incertezas
Do mesmo modo, falar em educação hoje implica mergulhar em campo de incertezas, altamente desestabilizado pela avalanche de mudanças não apenas nas tecnologias, mas nos próprios valores individuais e sociais. Não há, em nenhum lugar, um educador, uma universidade ou uma escola que se sinta confortável em dizer que encontrou um modelo de educação que atenda plenamente aos desafios do mundo contemporâneo. Afinal, como reorganizar em poucos anos uma instituição que por séculos se alicerçou no acúmulo de informações e na hierarquia do saber e agora recebe alunos que têm em seu celular mais memória do que existe em seus livros?

Esses exemplos foram escolhidos a propósito: educação e trabalho, dois campos tão radicalmente transformados pela evolução tecnológica, até hoje em uma convivência tensa, estão se aproximando pelos desafios que têm em comum. Não estamos sequer falando de educação profissional ou modalidades de preparação para o trabalho – que renderiam outras tantas discussões. Simplesmente, a ideia é chamar a atenção para o desafio que hoje aproxima empresas e escolas: o foco absoluto no ser humano.
Enganou-se quem apostou em um mundo de máquinas que fariam todo o serviço. O tempo do século 21 é o tempo do talento humano. Em um mundo estruturado na necessidade da inovação permanente, se torna clara a certeza de que apenas a inventividade humana, a sua capacidade de encontrar respostas para problemas que sequer foram formulados, a sua persistência diante do erro e do incerto, será capaz de oferecer perspectivas de desenvolvimento sustentável no tempo.

Um estudo feito há dois anos por uma grande consultoria internacional mostrou que o chamado capital humano subiu para o topo das preocupações dos grandes executivos. No século 20, um grande negócio dependia de máquinas eficazes e processos bem definidos; hoje, há convicção de que nenhum negócio prospera sem pessoas altamente preparadas. Reconhecer a centralidade do ser humano vem provocando grandes transformações no meio corporativo: se antes se buscavam equipes homogêneas, a diversidade humana passou a ser celebrada como um ativo; se profissionais obedientes ganhavam pontos, agora conflito de ideias e pontos de vista são bem-vindos. Empresas precisam de profissionais criativos, empreendedores, hábeis em se mover em cenários de alta complexidade. O talento entrou em cena como um valor inestimável.

Há mais: no ambiente atual, além de skills típicos do mundo corporativo, passam agora a valer as chamadas habilidades não cognitivas – atitudes humanas como resiliência, liderança, persistência, autonomia, amplitude de pensamento. Enfim, a velha ideia de mão de obra ficou para trás e as empresas passaram a demandar profissionais globalmente desenvolvidos, capazes de aprender continuamente.
Ora, ora, se não é também o que busca a escola. Evidentemente, não se pode olhar para a educação como uma mera etapa de preparação para o trabalho. Educar é muito mais do que isso. Mas, ao mesmo tempo, uma escola que não leve em consideração a realidade do trabalho do século 21 vai deixar os alunos em maus lençóis.

Escola básica
Tudo bem, existe o ensino superior que faz a conexão com o trabalho. Mas uma pessoa não começa a ser formada na universidade. Por isso, é tempo de olhar o que se passa na escola básica, pois é lá que se forma o conjunto de competências humanas que permitem uma atuação transformadora e consciente do mundo.

Esse não é um encontro simples. A escola tem a sua própria lógica, seu campo de valores e não pode ser atropelada por corporações pressionadas pelo ambiente de alta competitividade. De outro lado, entrincheirar-se em ideais pedagógicos em um ambiente tão radicalmente transformado pode afastar a educação dos desafios reais do mundo.

É um tempo de perplexidades, que exige de empreendedores e de educadores mais do que investimentos em consultorias, palestras e estudos. É preciso agir, com sensibilidade, mas sem tergiversações. O Departamento Nacional do Sesc e a Escola Sesc de Ensino Médio vêm buscando formas de construir tais pontes. No final do ano passado, dois exemplos ilustram bem esse esforço de diálogo. No Departamento Nacional, aconteceu uma nova edição o Fórum de Estagiários 2013. Nesse evento, dezenas de estagiários do Sesc apresentam estudos, projetos e propostas de aprimoramento de seu espaço de atuação – uma iniciativa educativa que valoriza o papel do estagiário e, ao mesmo tempo, sinaliza para a importância de uma atitude de busca pela inovação permanente. Afinal, estagiários são profissionais em formação que, em muito breve, estarão ocupando postos de liderança.




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(1) Claudia Fadel é diretora da escola Sesc de Ensino Médio e doutoranda em Educação na Columbia University de Nova York.

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Fonte: Revista Melhor
Autor: 
 Data: 05/06/2014

 

 


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