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Empresa quer inovação e empregado quer sobreviver

Se a empresa já constatou que precisa de inovação para liderar mercados competitivos, do outro lado, os empregados lutam pelos resultados de curto prazo como forma de garantir seu próprio emprego dentro de uma cultura que pune quem se arrisca, não aceita divergência e reforça a manutenção do status quo. Parece incoerente, mas é um fato que reconhecemos no cotidiano empresarial separando o discurso da prática.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) realizou uma pesquisa com 40 grandes empresas — 30 nacionais e 10 internacionais, que revelou a percepção acerca da inovação por parte dos principais líderes empresariais atuantes no país.

Entre as constatações, a que me chamou atenção foi que, apesar da liderança reconhecer que suas empresas possuem estratégias claras de inovação e que ela está bem alinhada com a estratégia corporativa geral (contando com o engajamento dos CEOs e da alta direção), o compromisso não é reconhecido na gerência intermediária e entre os colaboradores em geral, nem sempre comprometidos com a estratégia de inovação.

Por que a vontade imperial não encontra eco entre quem efetivamente pode colocar em operação o motor da inovação?

Recente pesquisa publicada pela Época Negócios revela que para a pergunta “O que é mais importante no trabalho?”, a maioria deu sinais de que arriscar não faz parte da maioria das metas dos profissionais. “Tentar, errar e tentar de novo” é uma possibilidade para 15% dos respondentes, enquanto 85% preferem prever e organizar. Arriscar o novo é preferido por 32% das pessoas. Já 68% apostam na melhoria contínua. Em resumo, a maioria não está quer assumir risco e prefere evitar experimentação.

A inovação perde de longe para a renovação. Preferem fazer o mesmo com pequenos ajustes cosméticos, repetindo a fórmula de sucesso, num oceano prevísível no curto prazo, presumivelmente estável e desejado por quem quer manter o tapete do emprego sob os pés. Os gestores hoje têm que lidar com esse ambiente instável de conforto, prezar pela manutenção do cargo, mas estar consciente de que o futuro da organização depende do processo de transformação baseado na inovação, por um lado, e pouco tolerante ao erro, por outro.

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Fonte: Carlos Faccina
Autor: 
 Data: 01/02/2012

 

 


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